Friday, 26 June 2015

James K. Galbraith - políticas de austeridade geraram uma catástrfe na Grécia

Vale a pena ler este artigo do economista americano James K. Galbraith, sobre a Grécia publicado no jornal Le Monde:

« Le FMI doit admettre que les politiques imposées à la Grèce ont généré une catastrophe »

Le Monde.fr  - 24 Juin 2015,

Pour l’économiste américain James K. Galbraith, les créanciers de la Grèce devraient écouter les propositions d’allègement de la dette plutôt que de chercher à refinancer des politiques inefficaces

L’économiste en chef du Fonds monétaire international (FMI), Olivier Blanchard, a soulevé une question simple: «Quelle doit être la mesure des ajustements auxquels il incombe à la Grèce de procéder, et quels doivent être les efforts fournis par ses créanciers publics?»

En mai 2010, le gouvernement grec a procédé à un ajustement budgétaire s’élevant à 16% de son produit intérieur brut (PIB) sur la période 2010-2013. La Grèce est ainsi passée d’un déficit budgétaire primaire (hors paiements d’intérêts de la dette) de plus de 10% du PIB à un solde primaire équilibré en2014. Dans le même temps, les «ajustements» ont consisté à réduire les dépenses publiques et le salaire minimum, à effectuer des privatisations au rabais, à supprimer les conventions collectives et à diminuer sévèrement les retraites.

Le FMI avait initialement prévu que le PIB réel de la Grèce (ajusté à l’inflation) subirait une contraction d’environ 5% sur la période 2010-2011, qu’il se stabiliserait en2012 et qu’il se remettrait ensuite à augmenter. En réalité, il a chuté de 25%, et n’a jamais pu remonter la pente. De plus, dans la mesure où le PIB nominal a diminué à partir de 2014, et continue de décliner, le ratio dette/PIB, censé se stabiliser en2012, continue d’augmenter.

Le FMI et les autres créanciers de la Grèce ont choisi de croire qu’une importante contraction budgétaire n’engendrerait qu’un effet temporaire sur l’activité économique, l’emploi et les impôts, et que les coupes effectuées sur les salaires, les retraites et les emplois publics auraient un effet magique sur la croissance. Cette hypothèse s’est révélée fausse. L’ajustement effectué par la Grèce a abouti à une véritable catastrophe économique –mettant en lumière les prévisions les plus erronées qu’ait jamais formulées le FMI.

Ainsi s’attendrait-on à ce que le FMI cesse de prolonger ce fiasco. Or, plutôt que d’admettre cette réalité et de s’y adapter, le FMI choisit de s’attaquer encore davantage aux retraites, en déclarant par la bouche de son économiste en chef, Olivier Blanchard: «Pourquoi insister sur les retraites? Avec les salaires, elles représentent environ 75% des dépenses primaires; les 25% restants ont d’ores et déjà été réduits à leur plus simple expression. Les retraites constituent plus de 16% du PIB, et les transferts du budget vers le système des retraites sont proches de 10% du PIB. Nous estimons qu’il faut réduire les dépenses de retraites de 1% du PIB (sur 16%), et qu’il est possible de le faire tout en protégeant les retraités les plus démunis.»

«Mesures crédibles» Mais, si le paiement des retraites représente aujourd’hui 16% du PIB grec, c’est précisément parce que l’économie de la Grèce se trouve contractée de 25% par rapport à 2009. Si ces six années d’austérité désastreuse n’avaient pas eu lieu, le PIB grec serait peut-être supérieur de 33% à ce qu’il est aujourd’hui, et les retraites ne représenteraient que 12% du PIB, au lieu des 16% actuels.

M.Blanchard appelle Athènes à proposer des «mesures véritablement crédibles». Mais le FMI ne devrait-il pas en faire de même? Pour diminuer les retraites d’un point de pourcentage du PIB, une croissance économique nominale de seulement 4% par an pendant deux ans se révélerait suffisante – sans coupes supplémentaires. Pourquoi ne pas proposer des «mesures crédibles» pour atteindre cet objectif-là?

Cela nous amène à la question de la dette grecque. Comme chacun le sait au FMI, l’existence d’un surendettement revient à dire qu’à tout moment vos investissements, vos bénéfices et votre travail acharné peuvent se retrouver taxés et dérobés afin de nourrir le cadavre de prêteurs passés. Le surendettement est donc un véritable barrage à la croissance. C’est la raison pour laquelle toutes les crises de la dette se terminent tôt ou tard en restructuration ou en défaut de paiement.

Olivier Blanchard est un pionnier de l’économie de la dette publique. Il sait pertinemment que la dette grecque n’a jamais été tenable à quelque période que ce soit au cours des six dernières années, pas plus qu’elle ne l’est aujourd’hui. C’est là un point sur lequel la Grèce et le FMI sont d’accord.

Il se trouve qu’Athènes formule une proposition crédible. Tout d’abord, laisser le Mécanisme européen de stabilité (MES) effectuer un prêt de 27milliards d’euros sur des échéances étendues, afin de retirer les obligations grecques que la Banque centrale européenne (BCE) a bêtement acquises en2010. Deuxièmement, consacrer les rendements de ces obligations au paiement du FMI. Enfin, faire participer la Grèce au programme d’assouplissement quantitatif de la BCE, ce qui permettrait au pays de faire son retour sur les marchés.

Les Grecs ont d’ores et déjà procédé à des choix difficiles. C’est désormais au FMI d’agir, en commençant par admettre que les politiques imposées pendant six ans ont généré une catastrophe. Les autres créanciers doivent admettre qu’il est nécessaire de restructurer les dettes grecques – comme le sait pertinemment le FMI.

Traduit de l’anglais par Martin Morel

James K. Galbraith est professeur à la Lyndon B. Johnson School of Public Affairs de l’université du Texas.

Wednesday, 24 June 2015

Flexibilidade do pacto de estabilidade e combate às práticas fiscais agressivas na UE: 3 intervenções na mesma tarde no plenário do PE


1. Revisão do quadro de governação económica: avaliação e desafios - Relatório  Pervenche Berès (A8-0190/2015)
 
Muito obrigada senhor presidente.

Senhor presidente, senhor comissário, caros colegas,

A Europa é o único grande bloco que, sete anos depois da crise de 2008, ainda não conseguiu sair dela.

Quando sair, será com cicatrizes profundas: o desemprego duplicou, os jovens qualificados das regiões menos competitivas emigraram, e o investimento baixou para mínimos históricos. As condições para crescermos juntos nunca foram tão difíceis.

Há que ter consciência de que, quanto maiores forem as divergências, menos viável será a moeda única.

É por isso que a opção da Comissão Juncker de finalmente aplicar a flexibilidade contida no Pacto de Estabilidade e Crescimento faz todo o sentido.

Acomodar nas regras o investimento estratégico e as reformas estruturais, e matizar essas regras de acordo com o ciclo económico, é uma questão de puro bom senso.

O relatório Berès toca alguns desses aspectos. Mas é importante relembrar aqui que a moeda única não sobreviverá:
  • Se não fizermos uma revisão do conceito de reformas estruturais, passando a seleccionar aquelas que promovem uma verdadeira convergência de competitividade
  • Se não criarmos direitos sociais mínimos a nível europeu.
  • Se não estabilizarmos os mercados, cumprindo a promessa de criar uma garantia comum de depósitos até 100 mil euros na união bancária
  • Se não colocarmos sob o método comunitário as troikas, o mecanismo europeu de estabilidade e o tratado orçamental;
  • Se não encontrarmos uma solução comum para o problema das dívidas soberanas
  • Se não criarmos um instrumento europeu capaz de relançar as economias em crise sem provocar uma recessão;
  • Se não acabarmos com a prática em que os países roubam a matéria fiscal uns aos outros, enquanto ao mesmo tempo se sancionam quando os seus orçamentos não são equilibrados;
Há uma agenda em curso. O relatório Berès é apenas um passo, um passo importante, mas um passo.

Mas as reformas de fundo, que estão em parte cobertas no relatório dos 5 presidentes, têm de ser, em combinação com o relatório Berès, realizadas com a maior urgência se quisermos salvar verdadeiramente o projecto europeu.

Muito obrigada

2. Transparência na aplicação do Pacto de Estabilidade e Crescimento - Questão Oral à Comissão Europeia
 
 
Muito obrigada senhora presidente.
Senhora presidente, caros colegas,
A flexibilidade que a Comissão Europeia tem vindo a utilizar na aplicação do Pacto de Estabilidade e Crescimento não constitui, ao contrário do que muitos querem fazer crer, uma alteração dissimulada das regras de governação económica.
Pelo contrário: esta flexibilidade já está há muito inscrita nas regras, com a diferença de que a anterior Comissão, por razões ideológicas, penso, nunca a quis aplicar.
É por isso que os socialistas europeus apoiam plenamente esta decisão da Comissão que permite adaptar o Pacto às condições específicas de cada país, evitando as políticas pró-cíclicas que contribuíram e muito para o desastre económico e social na Europa nos últimos anos.
O relatório Berès, que acabámos de discutir e nos preparamos para votar, confirma essa maior transparência e clareza na aplicação das regras actuais, nomeadamente em termos de especificação e clarificação do âmbito da cláusula de investimento e na avaliação das reformas estruturais.
Neste contexto, e com um objectivo de aumentar a transparência, o grupo socialista gostaria que a Comissão clarificasse alguns pontos:
               1. Que metodologia utiliza a Comissão para avaliar, quando analisa a posição orçamental dos Estados membros, o "output gap", o saldo orçamental estrutural e o crescimento potencial estimado do PIB?
               2. Na aplicação do Pacto de Estabilidade, que metodologia utiliza a Comissão Europeia para calcular os custos e o valor acrescentado das reformas estruturais?
               3. Na aplicação também do Pacto de Estabilidade de que forma estima, calcula a Comissão Europeia o impacto das suas recomendações no processo de convergência entre Estados membros?
Agradeço estas respostas e muito obrigada senhora presidente.
 

 
3. Decisão adotada sobre o plano de ação para um sistema de tributação das empresas mais equitativo na UE - Declaração da Comissão

 


Muito obrigada senhora presidente.
Senhora comissária,

Este novo pacote de transparência fiscal apresentado pela Comissão Europeia é bem-vindo. É mais um passo ainda insuficiente, mas na direcção certa, em resposta ao escândalo dos LuxLeaks.

De facto, não é aceitável que alguns países que controlam violentamente os orçamentos de outros, impondo-lhes cortes de despesa brutais, sejam os mesmos que, todos os dias, lhes roubam as receitas fiscais através de práticas agressivas e desleais.

Esta situação é injusta e é politicamente insustentável!

O Grupo Socialista pede, há anos, a instituição da (em inglês) CCCTB - isto é, de uma base comum para o cálculo da matéria coletável consolidada e obrigatória para todas as empresas da União. Sem esta base comum, não se pode comparar taxas de imposto. Lamentamos que o C da "consolidação" tenha ficado, por agora, aparentemente fora das propostas - porque, sem certezas sobre os preços de transferência, o combate à erosão das bases fiscais fica fragilizado.

Também lamentamos que a obrigação de reporte, país a país, das contas das empresas - o chamado Country By Country Reporting - seja adiada à espera de um estudo de viabilidade que não era de todo necessário.

Uma questão que coloco: o que podemos nós fazer enquanto representantes de cidadãos esmagados por cargas brutais de impostos, para que a Europa avance mais rapidamente numa agenda de justiça fiscal em que a concorrência se faça entre empresas e não entre Estados.

Eu cumprimento a Comissão por esta proposta, pelo trabalho que está a realizar. Mas pode assegurar-nos, cara comissária Marianne Thyssen, que na sequência do compromisso político de Juncker, todo o Colégio de comissários e não apenas alguns comissários, estará unido numa posição convergente, coerente e ambiciosa, capaz de, com o Parlamento, fazer mover o Conselho de Ministros - habitualmente bloqueado pela regra da unanimidade?

No que diz respeito à Comissão TAXE, posso assegurar-lhe que o espírito que nos une é de compromisso, exigência e cooperação leal com uma agenda ambiciosa da Comissão em matéria fiscal. Os cidadãos pedem-nos isso. Muito obrigada.

 

 

Thursday, 18 June 2015

Londres: última delegação da comissão especial TAXE

A caminho da reunião com o Secretary of the Treasury, David Grauke, em Westminster.

   
 
 (da esquerda para a direita: Alain Lamassoure, presidente da Comissão Taxe, eu e Sven Giegold, dos Verdes)



O regime dos trusts, fundos especiais, o exato estatuto das dependências da Coroa (Crown dependencies) e dos territórios ultramarinos (Overseas Territories), incluindo Gibraltar, não convence de todo.

 
 
 

Câmara dos Comuns: reunião com Margaret Hodge, presidente da comissão de inquérito sobre fraude e evasão fiscal, a heroína do recente e bem sucedido combate do parlamento inglês à fraude e evasão fiscal (à direita, de blazer cor de rosa)
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

A nova presidente desta comissão desta comissão acaba de ser confirmada: Meg Millier (de casaco preto à direita de Lamassoure)



Muito bom trocar impressões de forma tão aberta com gente tão competente e envolvida


 










Wednesday, 17 June 2015

Reunião da Comissão TAXE com os parlamentos nacionais

Nova Reunião da Comissão Especial TAXE sobre práticas fiscais agressivas entre países da União Europeia: desta vez o encontro foi com os parlamentos nacionais, incluindo Ivo Oliveira, do PS e Elsa Cordeiro, do PSD. Abre-se uma nova agenda europeia em matéria de fiscalidade
Reunião muito participada, com a sala cheia e um debate muito interessado.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pascal Saint-Amans, a alma da OCDE em matéria de combate à evasão fiscal a nível global, enquadra as propostas de transparência fiscal da Comissão Europeia e os trabalhos da comissão TAXE. Ao lado de Alain Lamassoure, presidente da Comissão TAXE.



Lamassoure renovou o convite feito à Amazon para participar na reunião do próximo dia 23 dedicado a ouvir várias empresas multinacionais para tentar perceber as suas práticas de optimização fiscal. A Amazon começou por recusar um primeiro convite mas "dois dias depois", disse Lamassoure, anunciaram que vão passar a pagar impostos nos países onde têm a sua actividade económica. O anúncio motivou um segundo convite de Lamassoure à Amazon, para participar na sessão de dia 23. O convite saiu há três semanas e ainda não teve resposta. Se a resposta voltar a ser negativa, o anúncio não terá sido mais do que uma mera acção de comunicação, ou seja, "um bluff e uma mentira", disse Lamassoure.

 

 

 

 

 

 

Reunião matinal com o ministro belga das finanças - tax rulings no menu

Reunião de uma delegação da comissão TAXE sobre práticas fiscais agressivas com o ministro belga das finanças, Johan van Overtveldt, às 7.45 da manhã...
 
 











Monday, 15 June 2015

Mario Draghi: saída da Grécia levaria o euro a entrar em águas nunca antes navegadas


Diálogo entre Elisa Ferreira e Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, durante um debate na comissão dos assuntos económicos e monetários do PE:

Elisa Ferreira: Muito obrigada por estar entre nós. Como sabe é citado muitas vezes como o elemento que pode resolver ou ajudar a resolver a questão (da Grécia). Não referiu mas há 7.200 milhões de euros que podem ser desbloqueados em função deste acordo, mas, em segundo lugar, também foi dito que se houvesse um default na Grécia que não haveria contágio na zona euro.
Gostava que nos dissesse se tecnicamente tem a certeza absoluta de que há uma protecção contra riscos de contágio porque pessoalmente penso que essa opinião não é sólida. Em segundo lugar, historicamente, se houver um default, a zona euro provavelmente parte-se na base de um desacordo que, se não estou errada nas contas, é de 2 mil milhões de euros, o que significa que parte na base de um desacordo que vale 0,02% do PIB da UE.
No momento em que também disse que reconhece que há falhas na arquitectura da zona euro, eu pergunto como é que interpreta a sua afirmação - que foi tão importante - de que o euro era para ser salvaguardado custasse o que custasse, no caso concreto da gestão da crise grega.




Mario Draghi:
 
Obrigada. Deixe-me dizer algo que já tenho vindo a repetir várias vezes hoje e que é que o BCE não é uma instituição política. O que significa que o BCE actua de acordo com regras e regras já existentes. Não criamos regras, baseadas nas contingências - e isso é muito importante. O nosso papel é muito diferente do dos Estados membros do Eurogrupo.

Depois invocou o ponto de um possível contágio. Não quero especular. Não creio que seja produtivo especular sobre possíveis resultados. Mas deixe-me dizer que uma simples boa razão para não especularmos é que estaríamos a entrar em águas nunca antes navegadas, nas quais podemos certamente dizer que temos todos os instrumentos para gerir a situação da melhor forma como temos feito noutras instâncias provavelmente tão dramáticas.

Mas certamente o que as consequências seriam no médio e longo prazo para a construção e concepção da União, é algo em que hoje ainda não estamos numa posição de prever, imaginar ou especular.

É muito claro que o que está acontecer mostra que a união é uma construção inacabada e é bastante claro que se queremos lidar com as consequências de médio prazo, consequências de qualquer tipo de evento imprevisível e significativo, teremos de conceber um "quantum leap" no nosso processo de integração. De certo modo mencionei as áreas em que isso deveria acontecer na minha intervenção inicial.

 
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Hearing at the European Parliament’s Economic and Monetary Affairs Committee
Introductory statement by Mario Draghi, President of the ECB,

Brussels, 15 June 2015

Mr Chairman,
Honourable members of the Committee on Economic and Monetary Affairs,
Ladies and gentlemen,
I am happy to be back to this committee for my regular hearing. Today, I would like to share with you the ECB’s assessment of the current economic and monetary conditions in the euro area. I will then touch on the subject chosen for our exchange of views, namely the risks and side-effects of our asset purchase programme. Finally, I will say a few words about the current situation in Greece.
Economic outlook and monetary policy
The latest economic indicators and survey data broadly confirm our assessment that the economic recovery is proceeding at a moderate pace. While growth has been mainly supported by private consumption in recent quarters, we now see encouraging signs that also private investment is picking up, which underlies our expectation that the economic recovery should broaden. This will be supported in particular by our monetary policy measures, which are working their way through to the real economy, by the comparatively low price of oil, and by improvements in external price competitiveness. This is also reflected in the latest Eurosystem staff projections: we project economic growth to increase from 1.5% of GDP in 2015 to 1.9% in 2016 and to 2.0% in 2017.
After some months with negative or zero rates, inflation in May has increased modestly, standing at 0.3% in year-on-year terms, as the negative contributions from energy prices are fading. We expect inflation to remain low in the months ahead before rising stepwise around the turn of the year. Thereafter, inflation is expected to gradually converge toward levels closer to but still below 2%. In the Eurosystem staff projections of June, inflation is projected to increase from 0.3% in 2015 to 1.5% in 2016 and 1.8% in 2017.
Over the last quarter, money and credit dynamics have strengthened overall. The growth of broad money in April stood at 5.3%, and in part reflects the expansion of bond purchases by the Eurosystem. While improving further, loan growth to the private sector, standing at 0.8% in April, has lagged somewhat the pace at which monetary trends have been firming. It remains moderate –atypically so, after such a prolonged phase of credit compression – and uneven across the euro area economies with new loans to enterprises particularly weak.
Overall, we remain prudently confident that all economic and monetary conditions are in place to support a gradual reflation of the euro area economy, with a sustained return of inflation rates to levels below, but close to, 2%.
This assessment is based on the full implementation of all our monetary policy measures. We need to keep a steady monetary policy course and firmly implement those measures, including our expanded asset purchase programme. It is our clear intention to purchase private and public sector securities of EUR 60 billion per month on average until the end of September 2016 and, in any case, until we see a sustained adjustment in the path of inflation that is consistent with our aim of achieving inflation rates below, but close to, 2% over the medium term.
Over recent weeks, financial markets have registered a measurable trend reversal in prices and a surge in volatility, with the fixed-income market the epicentre of the correction.
Let me make two observations in this respect. First, a period of higher volatility is a phenomenon that is frequently observed not long after the start of a large quantitative programme, when short-term rates are pressed against their lower bound. Price discovery is gradual and complex in a world in which central banks intervene in long-dated securities and markets re-appraise prospects for the macro-economy in exceptionally uncertain conditions.
Second, and notwithstanding these developments, financial market conditions remain accommodative and supportive of the economic recovery in the euro area. For example, given the amount of accommodation that was introduced even before our expanded asset purchase programme commenced in March, bank lending rates – a key indicator of financing conditions in the euro area – are still trending down. Since the announcement of the expanded APP, the composite bank lending rates for euro area NFCs declined by 13 basis points to 2.30% in April (and compared with 2.79% in June 2014). Bank lending rates on loans to households for house purchase declined by 25 basis points to 2.25% in April (and compared with 2.87% in June 2014). In addition, most measures of cross-country dispersion show tangible declines for NFCs.
As interest rates on outstanding loans are re-set, and new credit contracts embodying more favourable terms for borrowers replace old ones, financial accommodation reaches a growing number of consumers and investors. This incremental process has not yet run its course. It is still on-going.
This being said, in the process of price adjustment, the term structure of the money market interest rates has come under intense upward pressure. The expected policy rate path implied by money market quotes has shifted up and steepened noticeably as a consequence. The very short end of the curve – because of expanding surpluses of liquidity – has remained well-anchored around levels that are broadly in line with our forward guidance over those horizons.
We are closely monitoring conditions to detect signs of an unwarranted tightening of our stance, to which we would need to react.
Risks and side-effects of APP
Engaging in a large-scale asset purchase programme is not without risks and side effects. Let me focus here on the financial risks of our own balance sheet, on financial stability implications for the euro area, and on effects on income distribution.
We monitor very closely the risks for the Eurosystem’s balance sheet associated with our asset purchase programmes and we manage those risks to keep them at levels that do not threaten our capacity to fulfil our policy mandate to maintain price stability. In particular, we manage credit risk by exclusively purchasing assets of sufficient credit quality, by defining an asset allocation and a limit framework that ensures some degree of diversification, and by applying severe due diligence and monitoring processes. With regard to PSPP, we also decided that the purchases of government bonds conducted by the Eurosystem NCBs will not be risk-shared within the Eurosystem. This does not hamper the effectiveness of the purchase programme and the singleness of our monetary policy. The Governing Council has full control over all the design features of the programme. The specific risk-sharing agreement takes into account the unique institutional structure of the euro area, in which a common currency and a single monetary policy coexist alongside 19 national fiscal policies.
As regards possible financial stability risks, we assess these risks as rather contained for now. Looking in particular at housing markets in the euro area, we don’t see any signs of general overvaluation. Important indicators for increasing financial imbalances are real estate prices and credit growth, but so far we have witnessed low growth rates of both. For instance, the annual growth rate of prices for houses and apartments in the euro area increased on average by 0.8% in the last quarter of 2014. The annual growth rate of loans for house purchases stood at 0.1% in April 2015. Nevertheless, we monitor developments closely. If needed, macro-prudential policy tools should be used to safeguard financial stability.
Finally, large-scale asset purchases - as any other monetary policy measure – have distributional consequences. In the short run, the current combination of low interest rates, forward guidance and asset purchases is conducive to a change in asset prices and to wealth gains for investors holding a wide spectrum of assets. But this mechanism of asset price changes lies at the heart of monetary policy transmission and is set in motion every time a central bank activates its instruments of monetary policy, whether conventional or unconventional, in the pursuit of its objective. Interest rate changes always alter the attractiveness of saving relative to consumption and can influence the debt burden of borrowers.
Likewise, the current accommodative monetary policy stance eases financing conditions throughout the economy, boosting consumption and investment and, ultimately, inflation. This is an absolute precondition for interest rates to return to more normal levels consistent with sustainable growth and price stability. By reducing the cyclical component of unemployment, it also contributes to reducing a major source of inequality, particularly amongst the young and lower-income groups. In the end, all citizens across the euro area will benefit most from an environment of stable prices, macroeconomic stability, economic growth and job creation in the longer run.
The current situation in Greece
Finally, let me say a few words on the situation in Greece and the ECB’s role. As is the case for any member country of the euro area, the ECB, in the context of the euro system, fulfils its mandate as central bank toward Greece. Furthermore, the SSM Regulation you adopted together with the Council in 2013 made the ECB the supervisor of the Greek banking system through direct and indirect supervision. And in the two-pack, Parliament and Council have asked the Commission to liaise with the ECB when negotiating the conditionality attached to the adjustment programmes and when reviewing their implementation.
When it comes to monetary policy and supervisory action, the ECB will continue to take its decisions in full independence and in accordance with our legal framework. This rules-based approach is what is required from us. This is what we have been following and will continue to follow.
In this context, the Eurosystem has provided support to allow Greek banks to continue financing the economy. Currently, the central bank liquidity extended to Greek banks amounts to around EUR 118 billion, more than double the amount at end 2014. The current liquidity support represents around 66% of Greece’s GDP, the highest level as a share of GDP of any euro area country. Last week, the Governing Council decided not to object to a further increase in the ELA ceiling, by EUR 2.3 billion to EUR to 83 billion. Liquidity will continue to be extended as long as Greek banks are solvent and have sufficient collateral.
However, in a situation where the Greek government does not have market access, this liquidity can not be used to circumvent the prohibition of monetary financing, as laid out in Art. 123 of the Treaty on the Functioning of the European Union. This, together with supervisory considerations, explains why there is a ceiling on the Greek T-bills held by the Greek banking sector.
For the Governing Council to reconsider the T-Bills ceiling, there should be a credible perspective for a successful conclusion of the current review and subsequent implementation which would imply the disbursement of programme funds by euro area Member States. This would also significantly improve the outlook for future market access by the Greek government.
It should be absolutely clear that the decision on whether to conclude the review of the current programme and disburse further financial support to Greece lies entirely with the Eurogroup, so ultimately with euro area Member States. Hence this is a political decision that will have to be taken by elected policymakers, not by central bankers.
In the meantime, we will continue to provide our advice on the adjustment programmes. It is within this context, that we need a strong and comprehensive agreement with Greece, and we need this very soon. By strong and comprehensive I mean an agreement that produces growth, that has social fairness, but that is also fiscally sustainable, ensures competitiveness, and addresses the remaining sources of financial instability. I can assure you that the ECB is doing all it can to facilitate a successful outcome.
Such a strong and credible agreement with Greece is needed, not only in the interest of Greece, but also of the euro area as a whole. While all actors will now need to go the extra mile, the ball lies squarely in the camp of the Greek government to take the necessary steps.
Conclusion
The situation in Greece reminds us again that the Economic and Monetary Union is an unfinished construction as long as we do not have all tools in place to ensure that all euro area members are economically, fiscally and financially sufficiently resilient. To complete the Economic and Monetary Union, we need a quantum leap towards a stronger, more efficient institutional architecture. As you know, my colleagues and I are currently working on a report that will aim at showing a roadmap for this. We are in the final stages of this process, and I hope you understand that also out of respect for my colleagues, I will not be able to tell you more than what I have already said repeatedly: That we will need to put our institutional framework on a much stronger footing; that we need, as I just said, a quantum leap.
I am now looking forward to our discussion.