... que, por mera coincidência foi publicada pelo Diário Económico no mesmo dia em que Mário Soares publicou na Visão a sua opinião sobre os 30 anos da adesão, onde me faz uma simpática referência (post anterior)
Deputada no Parlamento Europeu (PE) desde 2004, sou a coordenadora dos eleitos de toda a UE com assento no Grupo Parlamentar dos Socialistas e Democratas - S&D - na comissão parlamentar dos assuntos económicos e monetários (ECON). Sou, igualmente, co-relatora da Comissão Especial do PE TAXE encarregue de examinar as práticas fiscais agressivas dos países da União Europeia (UE) e de propor pistas para lhes pôr cobro. Todas as opiniões aqui expressas são estritamente pessoais.
Friday, 12 June 2015
Saturday, 6 June 2015
Discurso na Convenção do PS de apresentação do programa
PS - APRESENTAÇÃO
DO PROGRAMA
05/06/2015
Coliseu dos
Recreios- Lisboa
1. Começo por uma referência ao passado, porque não há boas soluções sem que haja um bom diagnóstico. E nem todos retiramos as mesmas lições do mesmo passado.
1. Começo por uma referência ao passado, porque não há boas soluções sem que haja um bom diagnóstico. E nem todos retiramos as mesmas lições do mesmo passado.
a. O contrato que o
PS propõe aos portugueses surge num momento extremamente difícil da vida do
País e da União Europeia.
c. Bastou o primeiro
grande abanão, com a crise de 2008, para se abrirem as brechas antes
disfarçadas: a moeda única tinha criado um pequeno grupo de ganhadores – a
Alemanha (e poucos mais), e um grande grupo de perdedores, sobretudo no sul da
Europa. O crescimento (embora fraquíssimo) e o crédito (fácil e aparentemente
barato) tinham maquilhado a realidade.
d. Perante o
descalabro na economia real, os USA reagiram em força usando o orçamento e a
Reserva Federal. A Comissão Barroso começou por constatar a impotência do seu
magro orçamento de 1% e recomendou aos países que expandissem a despesa
nacional, para, logo a seguir, a partir de 2009, impor precisamente o oposto –
uma austeridade universal –, numa resposta quase histérica ao negócio que os
operadores financeiros montaram com as dívidas nacionais dos países do Euro. Em
Deauville, no Outono de 2010, Merkel e Sarkozy licenciaram o casino; valeu- nos,
em 2012, o discurso de Draghi que, sem gastar um cêntimo, fechou o negócio e
nos poupou uns milhões.
e. Daí para cá, tem
sido a agenda de pesadelo que se conhece, sobretudo para os países
economicamente mais frágeis do grupo dos perdedores (sendo que com a Espanha,
Itália e França o debate é mais musculado). Hoje, a direita que ainda domina a
política europeia tenta vender um balanço de sucesso, desvalorizando a desgraça
grega, vendo sendas luminosas nas variações decimais de indicadores onde as
perdas demorarão décadas a ser recuperadas (PIB, emprego ou investimento), e
tenta legitimar os ganhos dos ganhadores e as perdas dos perdedores (quer em
cada sociedade, quer entre países) na base da virtude dos primeiros e pecado
dos últimos, perpetuando-as com a inevitabilidade da agenda.
- Passo agora à posição de Portugal na Europa, sobretudo para retirar lições do que foi o nosso passado recente à luz do diagnóstico precedente. A primeira, a principal, eu diria quase a única, é que temos de definir claramente os nossos interesses enquanto sociedade e país, num contexto muito complexo mas também cheio de oportunidades que é o dos níveis europeu e mundial em que nos inserimos.
a. Declarar como
orientação política portuguesa a obediência (implícita ou explícita) a uma
agenda europeia, que não só está em permanente mutação como se revelou
profundamente imperfeita e incompleta, em lugar de definir objetivos e de
procurar aliados para a influenciar a nosso favor, não é apenas uma
infantilidade mas sobretudo uma pura manifestação de incompetência.
b. Dito isto, quero
deixar explícito que acredito ser do mais puro interesse nacional mantermo-nos
no Euro e dentro da União Europeia, tanto quanto é do nosso interesse procurarmos
reencontrar quanto possível a Europa que conhecíamos antes da deriva neoliberal
da última década.
c. Há, pois, que
discutir a nível interno e externo o que deverá ser a União a prazo, embora no
imediato, e sem alterações dos Tratados, seja a meu ver do interesse nacional e
a mero título de exemplo que:
- a Grécia se
mantenha no Euro (sob pena de não controlarmos a instabilidade de uma
eventual saída) e que a estrutura “Troika” (um atentado aos princípios
mais sagrados da democracia europeia) seja rapidamente substituída;
- na União Bancária,
seja concretizada a Garantia Comum dos Depósitos até 100.000 Euros como
seu 3º pilar;
- a governação do
Mecanismo Europeu de Estabilização seja transferida das mãos dos Estados
Membros para um enquadramento comunitário e se transforme assim num
embrião de Fundo Monetário Europeu;
- sejam
revisitadas as iniciativas de 2012 sobre modalidades de gestão articulada
da dívida dos Estados (Fundo de Redenção, Eurobonds ou, pelo menos, Eurobills);
- o
investimento estratégico nacional seja protegido na aplicação das regras
do PEC, na aplicação dos fundos estruturais e no Plano Juncker;
- haja ação
urgente no combate às práticas de agressividade e evasão fiscal na UE que
deslocam as receitas fiscais para paraísos, mesmo internos à UE;
- alguns
elementos de coesão social como a segurança no desemprego ou a portabilidade
das pensões e o reconhecimento de competências sejam áreas abordadas a
nível comunitário;
- a coesão social e regional regresse ao centro da agenda europeia, em contraponto à dominação absoluta da convergência nominal.
- Concluo com a agenda estritamente nacional, o que, na prática, significa encontrar nos limites da contenção orçamental que nos interessa salvaguardar as margens que nos permitem refazer o tecido económico e social indispensável à sobrevivência do País.
a. Foi exatamente
neste espaço que se desenvolveu o trabalho liderado pelo Mário Centeno, que em
boa hora o António Costa lançou, em torno do qual se desenvolveu o atual
programa e no qual tive o gosto de poder participar.
b. Porque uma outra importante
lição do passado recente foi a de que temos de ser nós, portugueses, a avaliar
os resultados de opções que não só aceitaram entusiasticamente as margens que
nos foram impostas como as interpretaram de forma ainda mais estrita e dogmática.
E, definitivamente, é (ou foi) contra os nossos interesses, eu diria é (ou foi)
suicidário:
- esmagar a
procura interna a tal ponto que as PME sufocaram e o desemprego explodiu;
- ter literalmente
“enxotado” uma geração de jovens competentes para países que, precisando
menos deles do que nós, os sabem estimar e acolher;
- esmagar o
investimento a tal ponto que o objetivo de aumento da produtividade fica
esvaziado de conteúdo;
- destruir e desarticular a função pública
num momento em que a regulação e supervisão das atividades privadas são
cada vez mais exigentes;
- destruir
serviços públicos essenciais (como a saúde e a educação) e a relação de
confiança entre os cidadãos e o Estado (veja-se o caso dos cortes nas pensões);
- destruir a coesão social, empurrando idosos, crianças e uma massa de desempregados de longa duração para a exclusão enquanto a classe média se afogava entre aumentos de impostos e esmagamentos de receitas. Uma sociedade assim desigual não tem viabilidade.
c.
Queremos continuar nesta mesma senda? Porque já
estamos habituados? Porque quando se bateu no fundo qualquer movimento é
progresso?
d. As margens que nos
limitam não podem ser a nossa agenda! As margens são isso mesmo, os limites da
agenda! E a agenda tem de ser o que pode ser feito e que corresponde ao nosso
interesse como sociedade, sem violar essas mesmas margens.
e. Nesta perspetiva,
considero como elementos fundamentais no programa que o PS hoje apresenta aos
portugueses algumas questões de método e outras de substância.
e1. De método: uma análise
precisa e quantificada das alternativas de agenda dentro das “margens do
possível”, numa saudável alternativa a dicotomias como as de um passado inicial
(“só vamos cortar gorduras e, depois de eleitos, cortamos o que for preciso”)
ou as de um passado mais recente, já posterior ao desastre (“continuamos como
até aqui e temos fé que havemos de crescer”).
e2. De substância: a
identificação, dentro das ditas margens, de prioridades que incluem:
·
o relançamento da economia centrada na
revalorização e estabilização do mercado do trabalho;
·
a revalorização do setor público e dos serviços
públicos fundamentais num quadro de significativa reorganização e aumento de
eficiência;
·
o restabelecimento de laços fortes de combate à
exclusão e a reposição de mínimos de dignidade social.
f.
Podemos discutir, discordar, aperfeiçoar medidas
concretas. Mas estes eixos fundamentais, dentro de um quadro europeu em que
somos um parceiro responsável e com direitos legítimos e nunca alunos, funcionários
ou súbditos, é claramente aquilo de que Portugal precisa para levantar a cabeça
e conseguir enfrentar determinadamente o futuro!
g.
Com confiança, a confiança que a liderança de
António Costa seguramente garante.
Wednesday, 3 June 2015
Debate sobre o futuro do euro na Assembleia Nacional Francesa
Debate sobre o futuro do euro num grande evento organizado na Assembleia Nacional Francesa pela eurodeputada Pervenche Berès e encerrada por Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu.
Os oradores incluíram, nomeadamente, Michel Sapin, ministro francês das finanças, Jean Pisani-Ferry, director de France Stratégie, Henrik Enderlein, director do Instituto Jacques Delors (Berlim), Agnès Bénassy-Quéré, presidente delegada do Comité d'Analyses Économiques, e Benedicta Marzinotto, investigadora do centro de reflexão Bruegel (programa em baixo).


Os oradores incluíram, nomeadamente, Michel Sapin, ministro francês das finanças, Jean Pisani-Ferry, director de France Stratégie, Henrik Enderlein, director do Instituto Jacques Delors (Berlim), Agnès Bénassy-Quéré, presidente delegada do Comité d'Analyses Économiques, e Benedicta Marzinotto, investigadora do centro de reflexão Bruegel (programa em baixo).
Vers une véritable Union
économique et monétaire ?
Coordination, solidarité,
convergence
A la veille d’un Conseil européen consacré à l’élaboration d’une
véritable Union économique et monétaire, quelles pistes pour une gouvernance
plus démocratique, efficace et transparente ?
Pour en débattre et explorer ce que l'on fait dans le cadre des traités
et au-delà, je co-organise avec la Fondation
Jean-Jaurès, la FEPS et le groupe des Socialistes et Démocrates du Parlement
européen un colloque qui réunit
des experts et de hauts responsables politiques européens.
Vous y êtes bienvenus.
Mercredi 3 juin
de 15h30 à 19h
Palais Bourbon, salle Victor Hugo
101 rue de l’Université
75007 Paris
101 rue de l’Université
75007 Paris
15h30
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Accueil
Introduction
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15h45
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Première table-ronde : Où
voulons-nous aller ?
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17h
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Dialogue
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17h30
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Deuxième table-ronde : Que
peut-on faire dans les deux ans qui viennent ?
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18h45
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Conclusions
Animation
: Jean Quatremer, Libération
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Intervenants des deux
tables-rondes :
* Participation à confirmer.
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Apoiar Antoine Deltour, o denunciador que revelou o escândalo Luxleaks
Antoine Deltour é um antigo funcionário da
empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers (PwC) que está na origem dos
chamados LuxLeaks, os acordos fiscais especiais concluídos entre o Luxemburgo e
centenas de multinacionais. Estes acordos permitem às empresas criar filiais ou
transferir a sede para o Luxemburgo para onde transferem os lucros de forma a
pagar taxas de imposto irrisórias, frequentemente próximas de zero, evadindo o
fisco on realizam a actividade económica.
Para apoiar Antoine Deltour:
https://www.change.org/p/soutenons-antoine-deltour-luxleaks
Deltour, francês de 29 anos, está em risco de
ser condenado a uma pena de 5 anos de prisão e uma multa superior a 1 milhão de
euros por causa destas revelações, estando
indiciado por crimes de roubo e violação das regras de confidencialidade do
Luxemburgo.
As revelações dos LuxLeaks provocaram uma onda
de choque que pôs finalmente a Europa, e o Parlamento Europeu, a debater uma
situação escandalosa - e que está longe de se limitar ao Luxemburgo - que é que
as maiores empresas conseguem encontrar estratagemas para fugir ao fisco
enquanto a carga fiscal continua a agravar-se sobre cidadãos e as pequenas e
médias empresas.
É por isso que é preciso apoiar Deltour e os
outros denunciantes de situações intoleráveis, que correm o risco de pagar um
elevado preço pessoal por revelações que são do interesse público.
Deltour prestou esta semana o seu testemunho durante uma sessão da Comissão
Especial do Parlamento Europeu (TAXE) encarregue, precisamente, de esclarecer o
funcionamento dos tax rulings e outras medidas de efeito equivalente e propôr
soluções para acabar com a erosão da base fiscal dos países da UE.
Depois da sessão oficial, eis uma pequena parte de uma breve conversa com
Antoine Deltour (tradução em baixo).
Elisa Fereira: Gostaria de lhe agradecer pelo seu testemunho aqui no Parlamento Europeu,
e gostava de lhe colocar uma pergunta: qual é a situação de pessoas na sua
posição, que vêm para a praça pública fornecer informações? Pensa que há um
risco para a sua vida, um risco para a sua reputação? Qual é a situação e que
soluções é que podemos encontrar?
Antoine Deltour: Não há um risco directo para a minha vida, tenho essa sorte, mas isso
acontece aos denunciantes (whistleblowers).
Em contrapartida, eu sou objecto de processos penais, em instrução no
Luxemburgo, e corro o risco de ser condenado a 5 anos de prisão e 1.250.000
euros de multa, porque estou indiciado em 5 delitos.
O resultado é que a maior parte dos denunciantes são muito raramente
pessoas com posições muito elevadas, mas são em geral assalariados de base,
classe média, que nunca imaginariam estar nesta situação.
Eu tive um contacto com um jornalista, e agora estou, por exemplo, aqui no
Parlamento Europeu. É uma situação para a qual nenhum cidadão está
espontaneamente preparado para enfrentar e que não é fácil viver. Contra a minha
vontade estou no centro de inúmeras solicitações.
Elisa Ferreira: Porque é que o fez? Se já antecipava um pouco que as coisas poderiam
evoluir assim, porque é que o fez? E voltaria a fazê-lo agora?
Antoine Deltour: Sim, voltaria a fazê-lo, porque considero que as consequências políticas
hoje, a simples existência desta comissão especial e também as propostas da
Comissão Europeia que, claro, poderia ter ido mais longe, mas só por si a troca
automática de informações sobre os tax
rulings já é um grande passo face ao que havia antes. Só isso já justifica
o que fiz, por isso, claramente, voltaria a fazê-lo.
O que me motivou, foi uma perspectiva enquanto cidadão. Enquanto auditor,
observava que as empresas escapavam quase completamente aos impostos. O que eu
não imaginava era a gravidade destas práticas, com taxas efectivas de imposição
extremamente baixas e, sobretudo, a que ponto o sistema era generalizado,
porque a maior parte das multinacionais do planeta recorrem a estas práticas.
Isso escandalizou-me, sobretudo num contexto de crise. Com orçamentos
públicos extremamente apertados e uma base fiscal que escapa aos Estados, temos
claramente um problema e eu quis favorecer um debate a esse respeito.
Encarei o meu papel unicamente enquanto catalisador de um debate, de
fornecedor de informação para estimular um debate. Teria preferido ter ficado
na sombra. Mas agora, por causa dos processos judiciais em curso, é importante
que eu me mostre para tentar desenvolver a ideia de que estas revelações são do
interesse público e mostrar que preciso de apoio.
Se eu permanecer na sombra, fico isolado e corro o riso de ser condenado a
uma pena muito pesada. Em contrapartida, se houver uma abordagem pública,
permitirá mobilizar apoios e mostrar que se trata de interesse geral.
Friday, 29 May 2015
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